Páginas

Mostrando postagens com marcador Ensaios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ensaios. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de setembro de 2012

A Patrulha da Noite


Em suas Crônicas de Gelo e Fogo, o autor norte-americano George R. R. Martin concebeu A Patrulha da Noite, no original Night's Watch, como uma Ordem militar responsável pela segurança dos Sete Reinos de Westeros.

Em muitos momentos durante a leitura dos livros da saga, a comparação com os Cavaleiros Templários é quase inevitável. Afinal, assim como os integrantes da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (do latim Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominici), os Patrulheiros da Noite são celibatários e não possuem bens.

Ouso dizer que a associação aos Templários só é amortecida quando, bem mais adiante, o leitor trava conhecimento com as ordens monásticas militares dos Filhos do Guerreiro e dos Pobres Irmãos que, por motivos óbvios, se parecem ainda mais com os Templários. Os Filhos do Guerreiro são cavaleiros que renunciam toda riqueza e aos prazeres da carne para juramentar suas espadas à Fé. Eles usavam mantos arco-íris e armadura embutida de prata por cima de cilícios, e trazem cristais em forma de estrela nos botões do punho das espadas. Por seu turno, Os Pobres Irmãos formam uma irmandade mendicante cujos membros trazem consigo machados de guerra e passam o tempo a correr pelas estradas, escoltando viajantes de septo em septo. O seu símbolo é a estrela de sete pontas, vermelha sobre branco. O povo simples chama aqueles de Espadas e estes de Estrelas.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

As origens da queda do absolutismo


Não raras fontes históricas defendem que a monarquia francesa encontrou seu fim ao pé do cadafalso e, segundo essas mesmas fontes, a expressão máxima de sua derrocada teria ocorrido em 21 de janeiro de 1793, quando o povo francês decapitou seu Rei, o monarca Luis XVI. Munro Price [1] lembra que antes desse evento dramático, a monarquia era uma estrutura grandiosa, malgrado todas as suas rachaduras, e o rei que, por fim, ficou uma cabeça menor governava por Direito Divino, sendo responsável por suas ações apenas diante de Deus.

Antes de prosseguir, é bom que se diga que cortar a cabeça de um rei não era novidade na Europa, pois em 1649, a Câmara dos Comuns criou uma corte (Tribunal de Exceção? Sim, claro) para promover o julgamento de Carlos I. Assim, no dia 29 de janeiro daquele mesmo Ano do Senhor de 1649, Carlos I foi condenado à morte por decapitação e – celeridade a toda prova –, decapitado já no dia seguinte, do lado de fora da Banqueting House.

Ao matar um rei, portanto, não significa acabar com a monarquia. Mesmo porque, na França, ao contrário do que ocorrera antes da Inglaterra, houve a Revolução. Segundo M. J. Roberts [2], a Revolução Francesa compreende conjunto de eventos ocorridos entre 5 de maio de 1789, com a convocação dos Estados Gerais e a famosa Queda da Bastilha e 9 de novembro de 1799, com o 18 de Brumário de Napoleão Bonaparte.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os Nove da Fama



Os Nove da Fama são os nove príncipes legendários que personificam os ideais da cavalaria, quiçá a maior de todas as instituições humanas da Idade Média. No idioma de Denis Diderot, eles são chamados de Les Neuf Preux, que em tradução livre (e não menos literal) poderia soar como “os nove valentes”,  termo que passa uma ideia mais precisa do tipo de virtude moral que foi considerada para a escolha daqueles soldados que passariam a ser sinônimo dos elevados ideais cavaleirescos. Na Itália eles são conhecidos como Nove Prodi. Em inglês o termo utilizado para designá-los é Nine Worthies.

Os escolhidos compõem três grupos triádicos orientados pelas religiões que professaram: três gentios (Heitor, Alexandre e Júlio César); três judeus (Josué, Davi e Judas Macabeu); e três cristãos (o Rei Arthur, Carlos Magno e Godofredo de Bouillon).

Esses grandes cavaleiros representam todas as facetas do guerreiro perfeito. Com exceção de Heitor e Arthur, todos são heróis conquistadores. Aqueles que não eram príncipes vieram de famílias da aristocracia. No universo da cavalaria seus predicados e suas virtudes são reconhecidas por sua atemporalidade e universalidade. Todos trouxeram glória e honra para suas nações, e foram conhecidos por sua habilidade pessoal nas armas. Individualmente, cada um exibia alguma qualidade excepcional que os tornou o modelo de cavaleiro.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Até quando, Catilina?




Marcus Tullius Cicero nasceu em Arpino, por volta de 106 a.C. Passou à História como uma das mentes mais atiladas da antiga Roma. Sua versatilidade fez com que seja ainda hoje reconhecido como grande advogado, orador sublime, político, magistrado, filósofo, linguista e tradutor.

Ana Teresa Marques Gonçalves [1], que elaborou estudo da obra De Legibus de Cícero [2] afirma a família do grande orador pertencia à ordem equestre, de maneira que, para ascender à ordem senatorial, Cícero foi submetido a uma cuidadosa e criteriosa educação.  Sabe-se que Cícero foi Questor na Sicília em 76 a. C. e Edil Curul em 70 a. C. No ápice de sua carreira política, Cícero foi Cônsul da República, mas foi degredado em 58 a.C.

Júlio César concedeu a anistia a Cícero que voltou a Roma. Sendo, inclusive, durante  a Ditadura de César que ele produziu várias de suas obras. Contudo, no período conturbado que se seguiu desde a morte de César até a ascensão de Otávio Augusto ao trono, o autor de De re publica foi morto a mando e a soldo de Marco Antônio, que em um gesto ao mesmo tempo bárbaro e simbólico mandou pregar as mãos que haviam escrito às novas Filipicas [3], juntamente com a cabeça, na rostra no Fórum Romano, o habitat natural de Cícero, local onde provavelmente proferiu as Catilinárias, as célebres orações acusatórias contra Catilina que ainda hoje ecoam mundo a fora.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

The Motherland Calls


Espaço, tempo e os elementos drenaram a força e a vitalidade do agressor. Ao invadir a Rússia, a Alemanha penetrou num clima diferente, e seus exércitos precisaram lidar com mudanças de estação repentinas e violentas. A estratégia alemã da guerra-relâmpago era inadequada para operações continuadas, e os rigores do inverno de 1941 surpreenderam o profeta da Nova Ordem. Quando chegou o frio, este matou mais soldados alemães do que as balas e baionetas russas. No entanto, seria equívoco presumir que o xeque-mate sofrido por Hitler, superando em muito as perdas de Napoleão de Moscou, deveu-se apenas a uma mudança do clima. Foram os sacrifícios dos russos que conseguiram isso – o que não muda a conclusão de que seis semanas de tempo clemente poderiam ter feito diferença para o maior ataque militar de todos os tempos. Mas o general inverno, o eterno aliado da Santa Mãe Rússia, não permitiu. (Erik Durschimied. Como a natureza mudou a História. Rio de Janeiro. Ediouro: 2004, p. 226-227.)
A historiografia relata que o solo sagrado da Mãe Rússia jamais foi expugnado pelo inimigo estrangeiro. Carlos XII da Suécia marchou sobre a Rússia no bojo da Grande Guerra do Norte em 1707. O rei sueco conquistou importantes vitórias, porém, seu exército encontrou a aniquilação em Poltava, marcando, assim, o fim da trajetória da Suécia como uma grande nação européia. Napoleão, por seu turno, chegou a tomar Moscou e passar uma noite no próprio Kremilin, porém, a desastrosa retirada sob o látego impiedoso do General Inverno solapou as bases do Primeiro Império Francês, uma vez que a fina flor da soldadesca francesa pereceu sob toneladas de gelo. O último a tentar foi Hittler. O último a fracassar também. Erik Durschmied, em seu revelador Como a Natureza Mudou a História, cujo breve excerto transcrevemos acima à guisa de epígrafe da presente exposição, relata como os temidos Panzers congelaram e afundaram na lama, perecendo sob a pesada mão do General Inverno, o mesmo que um século e meio antes havia subjugado o Vencedor de Austerlitz.

Nada obstante, hoje em dia muito se fala da decisiva Vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, do Dia D, quando a maior armada que o mundo já vira tomou as desoladas areias de Omaha Beach. Para os russos, porém, a Segunda Guerra não foi uma vitória do bem contra o mal nazi-fascista. Antes, para os russos, não houve uma simples vitória dos aliados sobre os alemães. Para esses renitentes cossacos, o que houve foi uma vitória do povo russo. Todos na Rússia, do mais jovem e ignaro estudante até o mais encanecido ancião, sabem que a Segunda Guerra é a grande vitória russa.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O Adeus de Fontainebleau

Que Ce Dernier Baiser Passe Dans Vos Coeurs!


No dia 20 de abril de 1814, em um dos momentos mais dramáticos e arrebatadores de sua epopéia, o Imperador Napoleão I, acompanhado de alguns poucos oficiais, desceu as escadarias em forma de ferradura do Palácio de Fontainebleau, que dão acesso ao Pátio do Cavalo Branco, para se despedir de sua Velha Guarda. Oficialmente, naquele momento, ele já deixara de ser o imperador dos franceses. Ele, pois, havia abdicado. Terminara o seu sonho de uma Europa Unificada sob o domínio francês.

Dois anos antes, aqueles bravos homens haviam marchado sob o seu comando através das estepes russas até Moscou. Durante toda a campanha eles não conheceram derrota em uma batalha sequer. O Czar, porém, abandonou a cidade e os poucos habitantes que restaram preferiram entregar sua capital às chamas a entregá-la aos franceses. E, assim, na noite em que Napoleão dormiu no Kremlin, Moscou ardeu. A retirada foi desastrosa. O “General Inverno” mostrou mais uma vez porque o solo da sagrada Mãe Rússia jamais foi conquistado pelo inimigo estrangeiro. O frio extremo, para o qual não estavam preparados, a fome que grassava entre as tropas e as investidas dos terríveis cavaleiros Cossacos ceifaram a vida de aproximadamente 570 mil homens (NICOLSON, 1987, p. 242). Com isso, La Grande Armeé, o Grande Exército de Napoleão foi desbaratado. Estima-se que a fina-flor da juventude francesa pereceu sob camadas de neve e trespassada pelas lanças dos Cossacos.